Inflação menor e crescimento fraco indicam novos cortes de juros pelo BCE

As perspectivas de inflação na zona do euro melhoraram, enquanto o crescimento permaneceu fraco, mostraram novos dados nesta sexta-feira (28), solidificando os argumentos a favor de novos cortes na taxa de juros pelo Banco Central Europeu para estimular uma economia que está estagnada há quase dois anos.

Os custos dos empréstimos já caíram, mas o bloco está estagnado, uma vez que o setor industrial está em recessão, os consumidores não estão dispostos a gastar e as empresas, preocupadas com uma guerra comercial em grande escala com os Estados Unidos, estão retendo os investimentos.

Embora o BCE esteja afrouxando a política monetária rapidamente, alguns membros têm pedido mais cautela em relação a novos movimentos, ainda preocupados com o fato de que as pressões de preços estão persistindo e que o banco poderia desfazer anos de trabalho árduo para conter a inflação.

Esses temores provavelmente diminuíram nesta sexta-feira, quando dados mostraram uma desaceleração no crescimento dos preços em algumas das maiores economias do bloco, ao mesmo tempo em que as expectativas também diminuíram, aparentemente confirmando opiniões de longa data de que fevereiro pode ser um ponto de inflexão.

A inflação na França, a segunda maior economia da região, desacelerou muito mais do que o esperado, atingindo o menor nível em quatro anos, a 0,9% em fevereiro, em comparação com 1,8% em janeiro, enquanto os números de alguns dos principais Estados da Alemanha também mostraram desaceleração.

Mais importante ainda, a inflação de serviços caiu de 2,5% para 2,1% na França, em uma mudança crucial, uma vez que os serviços, o maior item da cesta de preços ao consumidor, mantiveram-se estáveis durante meses, aumentando os temores de que a desinflação poderia estagnar.

Os consumidores da zona do euro, que estavam aumentando suas próprias apostas de inflação nos últimos meses de 2024, também ficaram mais otimistas, reduzindo suas expectativas para os próximos 12 meses de 2,8% para 2,6% em janeiro, segundo uma pesquisa separada do BCE.

Os números combinados parecem confirmar a narrativa do próprio BCE de que o crescimento dos preços está prestes a se aproximar de sua meta de 2%, mesmo com os custos dos empréstimos já em queda.

O BCE reduziu os juros cinco vezes desde junho do ano passado e uma sexta medida na próxima quinta-feira é vista como algo garantido, com o debate já se concentrando em quanto mais o BCE terá de fazer nos meses seguintes.

Os investidores agora preveem entre dois e três cortes após o corte de 7 de março, com as apostas oscilando principalmente em resposta às notícias vindas dos EUA sobre a política comercial.

A incerteza sobre o comércio vem pesando sobre a zona do euro há meses e os dados recentes não sugerem nenhuma mudança.

A economia francesa se contraiu no último trimestre de 2024, segundo dados atualizados divulgados nesta sexta-feira, enquanto as vendas no varejo alemão quase não cresceram, somando-se a uma série recente de indicadores e pesquisas que apontam para uma economia estagnada.

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