16/04/2026 19:41

Alerj recebe lançamento de manual que propõe combate ao preconceito contra idosos

ESTADO

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sediou, nesta quarta-feira, 15, o lançamento do Pequeno Manual Anti-Idadista, obra construída por 43 autores de diferentes regiões do país e organizada pelo Coletivo Velhices Cidadãs.

A atividade foi realizada pela Comissão de Assuntos da Pessoa Idosa, presidida pelo deputado estadual Munir Neto, e reuniu especialistas, representantes do Poder Público e integrantes da sociedade civil para discutir formas de enfrentar o preconceito relacionado ao envelhecimento.

Um dos destaques do evento foi a aula magna do médico gerontólogo Alexandre Kalache, que também recebeu uma Moção de Aplausos concedida pelo parlamentar. “Hoje vimos o auditório da Escola do Legislativo lotado, em um dia histórico para o Rio de Janeiro. Quero agradecer ao doutor Alexandre Kalache por essa experiência inesquecível e tão importante para o nosso estado”, afirmou Munir.

Durante o encontro, o deputado ressaltou a importância de inserir o debate sobre envelhecimento desde a formação educacional. “Por isso, é fundamental que esse tema esteja presente desde cedo na formação. A partir dessa reflexão, vamos trabalhar para levar essa pauta ao currículo das escolas estaduais do Rio de Janeiro. Ainda este ano, pretendo apresentar um projeto de lei para incluir a conscientização sobre o envelhecimento e o respeito à pessoa idosa na educação básica”, destacou.

Ao apresentar o conteúdo do manual, Kalache explicou que a proposta é estimular uma reflexão individual sobre preconceitos. “Todos os ‘ismos’ têm em comum uma ideologia de discriminação, seja contra alguém por ser negro, mulher, gordo, ter uma deficiência ou ser idoso. Este é um pequeno manual com dicas para que cada pessoa, por meio da introspecção e da autoeducação, perceba seus próprios preconceitos”, disse.

O especialista também chamou atenção para o crescimento da população idosa no país. “Isso tem um significado profundo. Estamos vivendo uma verdadeira revolução da longevidade. Uma revolução transforma a sociedade de forma irreversível, e é exatamente isso que está acontecendo. Não podemos transformar a maior conquista social dos últimos 100 anos, que é viver mais, em um problema ou uma catástrofe. Envelhecer é uma conquista. Envelhecer é algo bom”, afirmou.

A gerente de cuidados da Fundação Leão XIII, Christine Abdala, destacou a necessidade de refletir sobre a forma como a sociedade encara o envelhecimento. “Precisamos refletir sobre como queremos envelhecer. Queremos envelhecer bem, com dignidade, saúde, paz, parceria, família e justiça. Ao longo da vida, construímos relações, encontramos pessoas e deixamos marcas. E, como sociedade, precisamos assumir essa responsabilidade coletiva. Não existem eles e nós. Somos todos nós”, declarou.

Já a psicóloga Danielle Freire reforçou o papel das políticas públicas e da informação no cuidado com a população idosa. “Acima de tudo, é fundamental articular a rede de garantia de direitos. A política pública tem esse papel de ser articuladora, integradora e presente, especialmente quando falamos de uma agenda anti-idadista, que exige compromisso contínuo e ação em todos os territórios”, afirmou.

Ela também destacou a influência de fatores culturais na forma como a velhice é percebida. “No capitalismo estes conceitos estão entranhados no consciente coletivo. Com o crescimento do número de idosos no Brasil, nos deparamos com muitos que cuidam dos seus próprios netos ou de outros idosos e 7 milhões continuam trabalhando para garantir a renda das suas famílias”, pontuou.

O evento contou ainda com a presença de representantes de instituições públicas e acadêmicas, reforçando o debate sobre envelhecimento, inclusão e direitos da pessoa idosa.


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