11/04/2026 09:04

CPI do Crime Organizado: Análise das Convocatórias de Ex-Governadores e Ex-Presidente do Banco Central

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, vinculada ao Senado Federal, deliberou recentemente pela convocação de importantes figuras públicas. Entre os indivíduos notificados para prestar depoimento estão os ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Adicionalmente, a comissão aprovou requisições de quebra de sigilo fiscal e bancário para diversas entidades e pessoas, em conformidade com as diretrizes do Supremo Tribunal Federal.

Fundamentação para a Convocação de Ibaneis Rocha

A solicitação para a oitiva do ex-governador Ibaneis Rocha, apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), visa elucidar aspectos cruciais das relações comerciais de seu antigo escritório de advocacia. O objetivo é investigar potenciais vínculos com entidades sob escrutínio da Polícia Federal e os critérios que orientaram as transações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Essas negociações, em particular a aquisição do Banco Master pelo BRB, são pontos centrais da investigação.

Vínculos Financeiros e Decisões Governamentais

Conforme informações preliminares destacadas pelo senador Vieira, o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha teria mantido vultosos contratos com companhias associadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, ambas entidades alvo de inquéritos federais. Há também menção a transferências financeiras consideradas atípicas, oriundas do Grupo J&F. A CPI do Crime Organizado busca compreender se o então governador teria influenciado, de forma pessoal, a aprovação da aquisição do Banco Master pelo BRB, considerando que o Banco Master já havia negociado créditos questionáveis com o BRB, totalizando aproximadamente R$ 12,2 bilhões.

O Cenário Fluminense e a Convocação de Cláudio Castro

A presença do ex-governador fluminense Cláudio Castro é considerada fundamental para que a Comissão Parlamentar de Inquérito obtenha uma perspectiva estratégica aprofundada. O objetivo é identificar as fragilidades institucionais que impedem o combate efetivo à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira de organizações criminosas, bem como a extensão da infiltração delitiva no aparato estatal do Rio de Janeiro.

A Dinâmica do Crime Organizado no Rio de Janeiro

O senador Vieira, que atua como relator da CPI do Crime Organizado, salientou que o Rio de Janeiro é historicamente um epicentro para as modalidades mais complexas de criminalidade organizada no Brasil. Observou-se, nos últimos anos, uma metamorfose alarmante: a anterior distinção entre facções do narcotráfico e milícias, formadas por agentes de segurança e ex-agentes, cedeu lugar a uma simbiose criminosa, frequentemente denominada ‘narcomilícia’. Nesse contexto crítico, o depoimento de Cláudio Castro é avaliado como imprescindível para o avanço dos trabalhos investigativos.

Reconvocação de Roberto Campos Neto ao Banco Central

A decisão de convocar Castro e Ibaneis adveio da ausência de ambos em convites prévios da comissão. Pelo mesmo motivo, foi aprovada uma nova convocação para Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central no período de 2019 a janeiro de 2025. A proposição de reconvocação, também do senador Alessandro Vieira, ocorreu após Campos Neto informar sua impossibilidade de comparecer à reunião programada.

Relevância do Depoimento para a Investigação Parlamentar

Ao justificar a reconvocação, Vieira enfatizou que, embora não se atribua qualquer responsabilidade prévia a Campos Neto em relação aos fatos investigados, sua presença é solicitada na condição de testemunha qualificada. O relator da CPI ressaltou que os procedimentos, instrumentos e práticas institucionais adotadas pelo Banco Central podem oferecer uma contribuição significativa e esclarecedora para os trabalhos da comissão, auxiliando na compreensão de fluxos financeiros e mecanismos regulatórios.

Medidas Adicionais da Comissão

Além das convocações já mencionadas, incluindo a do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil, Renato Dias de Brito Gomes, os senadores aprovaram uma série de pedidos de quebra de sigilo. Tais requerimentos, direcionados a pessoas físicas e jurídicas previamente analisadas, foram deferidos em conformidade com as novas exigências e determinações do Supremo Tribunal Federal, visando aprofundar as apurações da CPI.

Fonte: https://www.folhadointerior.com.br