O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, órgão do Departamento de Estado do país, criticou, nesta quarta-feira (26), os bloqueios e multas impostas a empresas norte-americanas feitas pelo Brasil.
A autarquia é responsável pela formulação e implementação da política externa para a América Latina, entre outra outras regiões.
De forma indireta, o posicionamento faz alusão ao bloqueio do Rumble. O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a suspensão da plataforma de vídeos em território nacional na última sexta-feira (21).
“O respeito à soberania é uma via de mão dupla com todos os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos que lá vivem é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”, disse o órgão, em nota divulgada na rede social X.
Respect for sovereignty is a two-way street with all U.S. partners, including Brazil. Blocking access to information and imposing fines on U.S. based companies for refusing to censor people living in the United States is incompatible with democratic values, including freedom of…
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) February 26, 2025
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil republicou a postagem.
O respeito à soberania é uma via de mão dupla com todos os parceiros dos EUA, incluindo o Brasil. Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos que lá vivem é incompatível com os valores democráticos, incluindo a… https://t.co/58fNVzN3Cd
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) February 26, 2025
Moraes e o Rumble têm travado um embate judicial nos últimos dias, após o ministro determinar o bloqueio da plataforma no Brasil, uma vez que a mesma não apresentou um representante legal no país.
Dias antes, o Rumble e o grupo de mídia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Truth Social, entraram com um processo contra Moraes na Justiça norte-americana alegando “censura” do discurso político de pessoas alinhadas à direita nos Estados Unidos.
As empresas acusam o ministro brasileiro de censurar o posicionamento político nos Estados Unidos e infringir a Primeira Emenda do país ao ordenar que o Rumble removesse as contas de figuras brasileiras de direita.
Na terça-feira (25), a juíza distrital de Tampa, na Flórida, Mary Scriven, negou o pedido de liminar do Rumble contra Alexandre de Moraes.
No documento, os advogados pediam que as decisões do magistrado não tivessem efeito enquanto o caso é analisado pela Justiça norte-americana.
A juíza negou a liminar afirmando que as ordens de Moraes são inválidas em território americano, portanto a liminar é desnecessária