O Supremo Tribunal Federal (STF) mantém sua postura firme e enfática nos julgamentos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, segundo análise do jornalista Felipe Recondo, diretor do Jota.
Em entrevista à CNN, Recondo afirmou que, contrariando suas expectativas iniciais, os ministros do STF não abandonaram o discurso mais contundente de censura aos acontecimentos dos atos golpistas e à administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado durante e depois das eleições de 2022.
“Eu tinha até uma expectativa de que os ministros abandonariam um pouco desse discurso mais inflamado, mais enfático de censura ao que aconteceu no 8 de janeiro e durante a administração Bolsonaro, justamente para passar essa ideia de imparcialidade”, disse.
O jornalista ressaltou a postura do ministro Alexandre de Moraes durante o julgamento nesta quarta-feira (26). Moraes, que é relator do caso no Supremo, incluiu a exibição de imagens do 8 de janeiro durante a sessão.
“O que a gente viu hoje, por exemplo, no voto do ministro Alexandre de Moraes, inclusive exibindo imagens do que aconteceu no dia 8 de janeiro, inclusive com as frases, algumas delas que obviamente a CNN transmitiu ao longo do dia, da ministra Cármen Lúcia, do ministro Flávio Dino, sobre ditadura mata, etc., mostram que o Tribunal manteve essa sua postura de censurar de forma muito clara o que aconteceu no dia 8 de janeiro”, afirmou.
Recondo argumentou que a Corte poderia ter adotado uma abordagem mais neutra nesta fase, focando no aspecto jurídico do processo.
“Esse passo atrás o Tribunal, talvez, pudesse ter dado para demonstrar o seguinte: ‘olha, diante de tudo que aconteceu, nós já fizemos a censura ao 8 de janeiro em todos os atos públicos, inclusive dos quais os ministros do Supremo participaram e, agora, nós estamos em outro campo, o campo jurídico’”, explicou.
Papel político do STF
O diretor do Jota também comentou sobre o papel político do STF, que tem sido alvo de debates. Ele observou que a Corte continua exercendo uma função de alta relevância política, mantendo uma postura assertiva diante dos eventos recentes.
“Me parece que, sim, o Tribunal mantém um pouco o pé no acelerador diante de tudo que aconteceu”, concluiu Recondo, indicando que o STF permanece firme em sua atuação e posicionamento.